Tuesday, May 11, 2010

fala mais baixo.












"Ele caminhou absorto em seus próprios pensamentos. Teve de abrir caminho através de multidões que surgiram em seu caminho, passou por bares e restaurantes e lanchonetes nos quais as pessoas tinham começado a soprar cornetas de papel e a sacudir chocalhos em um frenesi de festividade.
Ele virou rapidamente em uma rua lateral estreita e caminhou por cortiços amontoados. Havia luzes acesas em algumas janelas, e Francis podia ouvir todos os tipos de barulhos alegres lá dentro. "Feliz ano novo!", sorriu com malícia. "Adeus ano velho, seus idiotas, bem vindo novo ano - bem vindos mais estupidez, mais miséria cruel, mais absurdos, mais caos. Mas, em nome de deus, não saia da linha ou o próximo na fila vai tomar sua vida à força. Cuidado com esse orçamento. Responsabilidades a cumprir, você sabe. Ame sua mulher e seus filhos, fomente a raça subumana. Aprenda a aceitar o golpe de seu próximo na fila. Pode fazer o que quiser, só não se revolte! O chicote, e não a morte. Quanto a mim, senhoras e senhores, vou abandonar o navio, que está afundando."

Jack Kerouac, Cidade Pequena, Cidade Grande

Lembrei daquele meu ano novo sozinha em casa escutando o Jukebox da Cat Power, depois ri pensando neste último, que passei na beira da praia com mil pessoas bêbadas alegres e numa situação "tenho 14 anos novamente". Tudo diferente, mas no fim as coisas permanecem iguais. Estou me apaixonando profundamente por esse livro, algo que eu duvidei que aconteceria. Recomendo desde já.

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