Thursday, August 19, 2010

Blake Schwarzenbach,

me calo perante a tua genialidade.

Wednesday, August 18, 2010

It ain't written so don't try to read it.

Lembro-me de que na primeira vez que nos separamos essa idéia de totalidade me agarrou pelos cabelos. Quando me deixou, ela fingiu ou talvez acreditasse mesmo que isso era necessário para nosso bem-estar. No fundo do coração eu sabia que ela estava tentando livrar-se de mim, mas era muito covarde para admitir tal coisa. Quando percebi, porém, que ela podia passar sem mim, mesmo por um tempo limitado, a verdade que eu tentara expulsar começou a crescer com alarmante rapidez. Era mais dolorosa que qualquer outra coisa por mim já experimentada antes, mas era também salutar. Quando fiquei completamente esvaziado, quando a solidão atingiu um ponto em que não podia mais ser aguçada, senti de repente que, para continuar vivendo, esta verdade intolerável precisava ser incorporada a algo maior que a estrutura do infortúnio pessoal. Senti que eu havia feito uma imperceptível mudança para outro reino, um reino de fibra mais resistente e elástica, senti que a mais horrível verdade era impotente para destruir-me. Sentei-me para escrever-lhe uma carta dizendo-lhe que a idéia de perdê-la me deixava tão miserável que eu decidira começar um livro a seu respeito, um livro que a imortalizaria. Seria um livro, disse eu, como nunca se vira outro antes. Continuei a divagar assim em êxtase e no meio disso de repente pus-me a perguntar por que me sentia tão feliz.

Passando por baixo do salão de dança, pensando de novo neste livro, percebi de repente que nossa vida chegara ao fim: percebi que o livro que eu estava planejando nada mais era do que um túmulo para enterrá-la - e para enterrar o eu que pertencera a ela. Isso foi há algum tempo e desde então venho tentando escrevê-lo. Por que é tão difícil? Por quê? Porque a idéia de "fim" é intolerável para mim.

Henry Miller, Trópico de Capricórnio

You're in all the books I read.
A hundred pages out of reach


Jawbreaker - First Step

Tuesday, August 17, 2010

...

Sócrates - O uso da escrita, Fedro, tem um inconveniente que se assemelha à pintura. Também as figuras pintadas têm a atitude de pessoas vivas, mas se alguém as interrogar conservar-se-ão gravemente caladas. O mesmo sucede com os discursos. Falam das coisas como se as conhecessem, mas quando alguém quer informar-se sobre qualquer ponto do assunto exposto, eles se limitam a repetir sempre a mesma coisa. Uma vez escrito, um discurso sai a vagar por toda parte, não só entre os conhecedores mas também entre os que não entendem, e nunca se pode dizer para quem serve e para quem não serve. Quando é desprezado ou injustamente censurado, necessita do auxílio do pai, pois não é capaz de defender-se nem de se proteger por si.

Platão, Fedro

Expressions and words.
They're nothing but letters.
Emotionally illiterate.
Severely inarticulate.

Cap'n Jazz - Aok

Monday, August 16, 2010

comodismo

Queres te tornar cada vez mais virtuoso? Confia em ti e não na pessoa que te ama, pois o que ama louvará sempre as tuas palavras e teus atos sem se preocupar com a verdade e com o bem, de medo de te perder ou pela simples cegueira que é própria da paixão. São estas as ilusões do amor. O amor infeliz aflige-se com aquilo que a ninguém incomoda; o amor feliz acha que tudo é encanto, as menores e mais insignificantes coisas. O amor é mais digno de piedade do que de inveja. Se cederes aos meus desejos, não me verás à procura, na tua intimidade, de um simples prazer efêmero. Hei de estar vigilante a que nos liguem interesses duráveis, pois que, liberto do amor, sou capaz de me dominar.

trecho do discurso de Lísias sobre o amor
Platão, Fedro

Friday, August 13, 2010

ode to DROKZ

talkin' about i already droks, talkin' about i already miss you, talkin' about missing you i already droks... porra, como é mesmo o nome da música? tu sempre erra. resolvi homenagear meu guru musical: predo, pedro, droks, skord, drox. que (nem) sempre está fortalecendo a amizade. infelizmente moramos em PRAÇAS distantes, mas enfim, nem tudo é perfeito como as bandas que tu me indicou (exceto as góticas e obscuras, claro). além de ser meu único leitor por anos, me dedicou pretty little girl traduzida via depoimento, apresentou jawbreaker - banda que disse o que eu precisava ouvir tantas vezes (primeira canção foi sea foam green, diga-se de passagem). me mostrou armchair martian, the germs (lembro que citou um trecho de lexicon devil e eu fiquei BOLADA e fui atrás) the vicious, dinosaur jr, me mandou MILESTONE quando eu não achava pra baixar no auge dos meus 20 anos, drag the river (lembro que tu me desafiou falando que eles tinham várias músicas boas e não entendia porque eu só escutava until i say so). sinto muito por ter perdido o show da xarrastarx, mas sabe como é, sou assim (fraca, haha). sempre perco shows, sempre bebo coca light, sempre saio na rua de moletom com capuz e sou confundida com marginais, (nem) sempre faço bottons com a cara de algum amigo e mando pro sá666. mas por outro lado, meu casaco é eternamente perfumado e eu posso pendurar no elevador e tornar tua vida mais agradável. agoran estou vestindo a camiseta rosa do merda que tu me deu, após anos de cobiça. mulheres eu já li. o adesivo do buk eu já colei. COLEI NA QUEBRADA.

aí (sei que tu curte um "aí" bem empregado), grata por todas as dicas boas, pelas noites jogando stop com características do milo, por tocar piano e andar de bicicleta. nunca te escuto de primeira, mas antes tarde do que nunca. não me venha com SMALL BLOCK. "sacanajjj"

obs: já fez teu last.fm?
obs2: ]

Thursday, August 12, 2010

never leave a job half done

Una que me fazia tremer só de olhar pra ela, Una a quem eu tinha medo de beijar ou mesmo de tocar na mão. Onde está Una? Sim, de repente, essa passa a ser a pergunta causticante: onde está Una? Em dois segundos fico completamente enervado, completamente perdido, desolado, na mais horrível angústia e desespero. Como a deixei ir? Por quê? Que aconteceu? Quando aconteceu? Eu pensava nela como um maníaco dia e noite, ano após ano, e depois, sem que eu reparasse, ela desapareceu da minha mente, assim como um níquel que cai por um buraco no fundo do bolso. Incrível, monstruoso, louco. Porque tudo que eu tinha a fazer era apenas pedir-lhe que se casasse comigo, pedir sua mão - só isso. Se eu o fizesse ela teria dito sim imediatamente. Amava-me, amava-me desesperadamente. Sim, lembro-me agora, lembro-me de como me olhou na última vez em que nos encontramos. Estava me despedindo porque ia partir naquela noite para a California, deixando tudo para começar uma vida nova. E nunca tive a menor intenção de levar uma vida nova. Pretendia pedir-lhe que se casasse comigo, mas a história que havia inventado como um toxicômano saiu de meus lábios tão naturalmente que eu próprio acreditei nela. Por isso disse adeus e me afastei. Ela ficou lá me olhando e eu senti seus olhos me atravessarem de um lado ao outro, ouvi-a gemendo por dentro, mas como um autômato continuei andando, finalmente virei a esquina e isso foi o fim de tudo. Adeus! Assim. Como em estado de coma. E eu queria dizer: Venha comigo! Venha comigo porque não posso mais viver sem você!

Henry Miller, Trópico de Capricórnio

Impossível não me ver ali. Vivo um amor romântico há dois anos. O romântico clássico, aquele que jamais se concretiza, aquele em que ambos sofrem, cada um de um lado da cidade. I must live to know that healing takes some time (Hot Water Music - Remedy).

Tuesday, August 10, 2010

poema no trem

tua imagem é como uma sombra
posso não olhar,
mas sei que está aqui
do lado, atrás ou na frente,
cercando, acompanhando meus passos,
grudada em mim.

ela atrapalha minha visão,
mas é a ÚNICA prova
de que ainda há luz.

tractor rape chain

Era algo inconcebível pra mim que alguém pudesse fazer promessas sem ter a menor intenção de cumpri-las. Mesmo quando ficava mais cruelmente decepcionado eu ainda acreditava; acreditava que algo extraordinário e absolutamente além das forças da pessoa interviera para tornar a promessa nula.

Henry Miller, Trópico de Capricórnio

Sunday, August 08, 2010

sério

Quando eu vejo alguém fumando, automaticamente penso que essa pessoa é: insegura, ignorante, atrasada e, acima de tudo, CAFONA (supere os anos 80, por favor). A vida vai se tornar LITERALMENTE menos intragável quando as pessoas pararem de fumar nas ruas. Fumar numa calçada lotada, onde os indivíduos que estão do lado e atrás são obrigados a ficar perto e, consequentemente, respirando aquela fumaça é o cúmulo da invasão do espaço alheio, total falta de noção de como conviver harmoniosamente em sociedade, absurda falta de respeito e educação. É quase engraçado! Tu ali preso, tentando passar, sendo tomado pela nuvem de nicotina alheia. Depois de obrigar todos que estão próximos a fumar passivamente, o desgraçado joga o cigarro no chão (brasileiro que se preze ignora a existência de cinzeiros, afinal, temos calçadas aí para isso). Eis que ele atinge seu ápice: vira OFICIALMENTE entulho (para depois grudar na sola do meu tênis, entupir um bueiro ou iniciar um incêndio). Já passou da hora de parar com a escrotisse.

nota dominical

You're not the first you're not the last
Another day another crash


The Germs - The Other Newest One

Thursday, August 05, 2010

mestre

Não sei se vocês (pretencioso falar no plural, mas ok, volta e meia alguém chega aqui acidentalmente com uma busca sem nenhum sentido no google) estão preparados para tamanha breguisse, mas a verdade é que o Henry Miller me completa. Hoje no trem eu li um trecho de Trópico de Capricórnio que quase levantei e recitei. Tive vontade de abraçar o livro (não creio que fosse adiantar alguma coisa), sair contando pra todo mundo como aquilo era genial e lindo! E eu me sinto assim toda hora com a obra dele. Não importa se ele foi polêmico ou pedia dinheiro pra todo mundo, muito menos se foi promíscuo. Engraçado como geralmente os mais talentosos são os que mais se fodem na vida. Admiro profundamente o trabalho dele. Simplesmente não consigo parar de ler. Ele fala das coisas com muita propriedade, força, muito ódio ou muito amor, soa sempre verdadeiro e certeiro. Até quando ele se dizia confuso, parece esclarecedor. Ah, sério, os textos dele dizem muito sobre a minha personalidade. Não acho que isso seja bom, mas é a verdade e eu (con)vivo com ela, e mais, acredito nela e estando certa ou não, defendo até o fim. Obrigada por iluminar o meu abismo, transportar o meu vazio, confirmar minhas teorias sobre Ser de capricórnio e dizer o que eu não consigo externar.


















"Depois que nos separamos, nunca senti necessidade de sua presença efetiva; ele se dera a mim completamente e eu o possuíra sem ser possuído."

Tuesday, August 03, 2010

eu piso.

Fanático! Lembro-me que essa palavra foi assacada contra mim desde a infância. Especialmente pelos meus pais. Que é um fanático? Uma pessoa que acredita apaixonadamente e age desesperadamente com base no que acredita. Eu sempre acreditei em algo e assim me meti em encrencas. Quanto mais batiam em minhas mãos, mais firmemente eu acreditava. Eu acreditava - e o resto do mundo não acreditava! Se fosse apenas uma questão de suportar castigo, a gente poderia continuar acreditando até o fim.  Mas a maneira do mundo é mais insidiosa. Ao invés de ser castigado, você é minado, solapado, tiram-lhe o terreno debaixo dos pés. Não é sequer traição o que eu tenho em mente. Traição é compreensível e combatível. Não, é algo pior, algo menos que traição. É um negativismo que o leva a exceder-se. Você está perpetuamente gastando sua energia no ato de equilibrar-se. É dominado por uma espécie de vertigem espiritual, cambaleia na beira,  fica com os cabelos em pé, não pode acreditar que por baixo de seus pés exista um abismo imensurável. Isso acontece devido a excesso de entusiasmo, devido a um desejo apaixonado de abraçar pessoas,  de mostrar-lhes seu amor. Quanto mais você se estende em direção ao mundo, mais o mundo recua. Ninguém quer amor verdadeiro, ódio verdadeiro. Ninguém quer que você ponha a mão em suas sagradas entranhas - isso é só para o padre na hora do sacrifício. Enquanto você viver, enquanto o sangue ainda estiver quente, tem que fingir que não existe sangue, que não existe esqueleto por baixo da cobertura de carne. Não pise na grama! Esse é o lema pelo qual as pessoas vivem.

Henry Miller, Trópico de Capricórnio

Sunday, August 01, 2010

O Ciumento

"E eu fiquei com o desejo de chegar ao fim desta história, exemplo e espelho da desconfiança que devemos ter em chaves, rodas e paredes, quando a vontade permanece livre e do mesmo modo, da desconfiança que se deve ter nos verdes e poucos anos (...)"

Miguel de Cervantes, Novelas Exemplares

Saturday, July 31, 2010

finalmente

Espíritos inquietos, mas não aventurosos. Espíritos angustiados, incapazes de viver no presente. Covardes desgraçados, todos eles, inclusive eu próprio. Só existe uma grande aventura e essa é para dentro do próprio eu. Para essa não importa o tempo, nem espaço nem mesmo feitos.






















Em todo lugar onde ia fomentava discórdia, não porque fosse idealista, mas porque era como um holofote mostrando a estupidez e a futilidade de tudo. Além disso, eu não era bom puxa-saco. Isso me marcava, sem dúvida alguma

Henry Miller, Trópico de Capricórnio

Tuesday, July 27, 2010

Chanson de La Plus Haute Tour

Que venha, que venha
A hora da paixão.

Tenho tido paciência,
Nunca esquecerei.
Temores e dores
Para os céus se foram.
E uma sede insana
Tolda as minhas veias.

Que venha, que venha
A hora da paixão.

Estou como o campo
Entregue ao olvido,
Crescido e florido
De joios, resinas,
Ao bordão selvagem
Das moscas imundas.

Que venha, que venha
A hora da paixão.


Arthur Rimbaud

Monday, July 26, 2010

Mauvais Sang (Mau Sangue)

"A gente não parte. Retoma o caminho, e carregando meu vício, o vício que lançou raízes de dor ao meu lado desde a idade da razão, e sobe ao céu, me bate, me derruba, me arrasta.
A última inocência e a última timidez. Está dito. Não levar ao mundo meus dissabores e minhas traições.
Vamos! O ir, o fardo, o deserto, o tédio e a cólera.
A quem me alugar? Que animal é preciso que adore? Que santa imagem nos agredirá? Que corações partirei? Que mentira devo sustentar? Em que ânimo avançar?"

Arthur Rimbaud, Uma Temporada no Inferno

oi?

Acabei com a correspondência do Rimbaud e estou lendo Cervantes, logo, ficarei sem postar trechos por algum tempo. Ok, não é uma certeza, mas pelo estilo dele acho difícil conseguir separar poucas linhas sem comprometer o sentido total. Vamos de Milo, então:

My world is my mind
I'm locking myself inside
People they can't get in
I have no use for them

Saturday, July 24, 2010

12 de junho

O dia tá chuvoso. O clima tá tenso.
Vários tentaram fugir, eu também quero.
Mas de um a cem, a minha chance é zero.

Racionais Mc's - Diário de um Detento

Friday, July 23, 2010

aos meus.

Por enquanto, prefiro crer que vou melhorar como vocês querem que eu acredite, por mais estúpida que seja a existência, o homem sempre se apega a ela.

trecho da carta de Rimbaud a sua irmã Isabelle, 29 de Junho de 1891

Wednesday, July 21, 2010

Maison des Ailleurs

Eu continuarei achando muito triste viver sempre no mesmo lugar. Enfim, o mais provável é que sempre acabemos onde não queríamos ir, fazendo o que não gostaríamos de fazer. Vivendo e morrendo de maneira totalmente diferente do que queríamos, sem esperanças de nenhuma espécie de compensação.

trecho da carta de Rimbaud a sua família, 15 de Janeiro de 1885

Tuesday, July 20, 2010

...

"Eu, pobre de mim, não tenho nenhum apego à vida e, se vivo, estou acostumado a viver de cansaços, mas se for forçado a continuar a me cansar como agora e a me alimentar de tristezas tão grandes quanto absurdas nestes climas atrozes, receio abreviar minha existência."

trecho da carta de Rimbaud a sua família, 25 de Maio de 1881

new girl, old story

Na cama, com a outra, eu passava horas de desespero pensando onde poderia estar aquela que eu havia perdido. Exausto, eu tornava a cair dentro do fundo do poço. Que forma mais abominável de suicídio!  Não somente me destruí e destruí o amor que me devorava, como destruí tudo aquilo que estava ao meu alcance, inclusive aquela que se agarrava desesperadamente a mim enquanto dormia.

Henry Miller, O Mundo do Sexo

Today I heard the song that was playing
When I first kissed you
I woke up next to someone who wasn't you

I never thought I'd say this, Shreen
But I'm not happy

estático

Nossas leis e hábitos tem relação com a nossa vida social, nossa vida em comum; mas, na realidade, essa é a parte menos importante da nossa existência. A verdadeira vida começa quando estamos sozinhos, frente a frente com esse grande desconhecido que somos nós mesmos. O que acontece quando nos encontramos com outras pessoas é determinado pelos nossos diálogos íntimos. Os acontecimentos marcantes das nossas vidas - aqueles que realmente interessam - são frutos do silêncio e da solidão. Temos a tendência de atribuir muita coisa a encontros ocasionais e a nos referirmos a eles como ocorrências que marcam e definem nossas vidas, mas a verdade é que esses encontros não poderiam ter ocorrido se não estivéssemos preparados para enfrentá-los. Se fôssemos mais atentos, esses encontros ocasionais seriam muito mais gratificantes. Somente em determinadas épocas imprevisíveis de nossas vidas é que estamos, por assim dizer, em plena forma, em "sintonia" perfeita e, conseqüentamente, aptos para receber os favores do destino e da fortuna.

xxx

Hoje em dia parece que todos nós somos movidos apenas pelo medo. Temos medo até daquilo que é bom, saudável e alegre. (...) A única disciplina que a vida nos impõe, é aceitá-la como ela é. Tudo aquilo que fugimos, a que fechamos os olhos para não ver, tudo o que negamos, desprezamos ou denegrimos, acabará servindo apenas para derrotar-nos. Aquilo que parece ruim, doloroso e nocivo, pode ser transformado numa fonte de beleza, alegria e incentivo, sempre que encarado de frente, com coragem.

xxx

Transportamos nossos corpos de um lado para o outro da Terra com extrema rapidez, mas será que saímos do lugar onde estamos? Não. Estamos mentalmente, fisicamente e espiritualmente acorrentados. O que conseguimos ao derrubar montanhas, ao acumular a energia de rios caudalosos, ou ao mudar de lugar populações inteiras como se fossem peças de xadrez, se continuamos a ser as mesmas pessoas irrequietas, miseráveis e frustradas que éramos antes? Chamar tais atividades de progresso, é uma grande ilusão.

Henry Miller, O Mundo do Sexo

...













"Desejo, no entanto, dizer que você deve no fundo compreender, enfim, que era absolutamente necessário que eu partisse, que esta vida violenta e cheia de cenas sem motivos de sua fantasia não podia mais me encher o saco."

trecho da carta de Verlaine a Rimbaud, 3 de Julho de 1873