"Fissurado para ir a um bar de que gostava, não havia ninguém que eu conhecesse, ou que quisesse conhecer. O balcão foi mudado, sem razão orgânica aparente, de um lugar para outro - garçons diferentes, nada que eu queira ouvir na máquina de música. (Estou no bar certo?) Todos se foram e eu estou sozinho em lugar nenhum. A cada noite, as pessoas são mais feias, os móveis mais horríveis, os garçons mais estúpidos, a música mais irritante, mais e mais, como um filme acelerado no vórtex da desintegração mecânica e da mudança sem sentido."
William Burroughs, Cartas do Yage
Monday, July 19, 2010
Sunday, July 18, 2010
acabou.
"Ainda outro pensamento me aflorou ao espírito: Porque eu estava tão obsessionado pela verdade?
E a resposta também surgiu clara e límpida. Porque existe somente a verdade e nada mais que a verdade."
"Sabemos bem como você destrói as páginas de literatura em busca do que é do seu agrado. Descobrimos as pegadas desse espírito descuidado por toda parte. É você quem mata o gênio, quem estropia os gigantes. Você, você, seja por amor e adoração ou por inveja, despeito e ódio. Quem escreve para você escreve o próprio certificado de óbito."
Henry Miller, Nexus
E a resposta também surgiu clara e límpida. Porque existe somente a verdade e nada mais que a verdade."
"Sabemos bem como você destrói as páginas de literatura em busca do que é do seu agrado. Descobrimos as pegadas desse espírito descuidado por toda parte. É você quem mata o gênio, quem estropia os gigantes. Você, você, seja por amor e adoração ou por inveja, despeito e ódio. Quem escreve para você escreve o próprio certificado de óbito."
Henry Miller, Nexus
Friday, July 16, 2010
fugaz.i
i burn a fire to stay cool
i burn myself,
i am the fuel
i never meant to be cruel
have you ever been cruel?
she's not breathing
she's not moving
she's not coming back
shut the door so i can leave
i burn myself,
i am the fuel
i never meant to be cruel
have you ever been cruel?
she's not breathing
she's not moving
she's not coming back
shut the door so i can leave
Wednesday, July 14, 2010
statler #3
"Mas no instante em que entrei a fazer comparações entre seu corpo e o de Mona, percebi ser inútil prosseguir. Por mais carne e sangue que ela tivesse, eles continuavam a ser carne e sangue. Nada mais havia nela além do que se podia ver e tocar, ouvir e cheirar. Com Mona, a história era completamente outra. Qualquer porção do seu corpo servia para me inflamar. Sua personalidade jazia tanto na sua teta esquerda, a bem dizer, como no dedo mindinho direito. A carne falava de todas as partes, de todos os ângulos. Estranho: o corpo dela não era perfeito. Mas era melodioso e provocativo. O corpo ecoava suas disposições de espírito. Ela não tinha necessidade de alardeá-lo ou espicaçá-lo; tinha apenas de habitá-lo, de ser ele."
"Havia mil perguntas que eu morria de desejos de fazer-lhe, mas me controlei. Nem sequer perguntei por que trocara de navio. Que importava o que acontecera ontem, um mês atrás, cinco anos atrás? Ela estava de volta - e isso bastava."
Henry Miller, Nexus
"Havia mil perguntas que eu morria de desejos de fazer-lhe, mas me controlei. Nem sequer perguntei por que trocara de navio. Que importava o que acontecera ontem, um mês atrás, cinco anos atrás? Ela estava de volta - e isso bastava."
Henry Miller, Nexus
sempre me pergunto
"A grande questão era essa pergunta eterna, aparentemente irrespondível: que tenho a dizer que ainda não foi dito, e milhares de vezes, por homens infinitamente mais dotados? Seria uma manifestação aguda do ego, essa necessidade coercitiva de ser ouvido? De que maneira eu era único? Pois, se não fosse único, então seria como acrescentar um zero a uma incalculável cifra astronômica."
Henry Miller, Nexus
Henry Miller, Nexus
Monday, July 12, 2010
bluebird
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?
charles bukowski
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?
charles bukowski
dot
"- Talvez você tivesse razão acerca de eu ser mais generoso comigo mesmo. Trata-se sem dúvida de um pensamento repousante. Dentro sou todo vigas de aço. Tenho de me derreter, adquirir fibras, cartilagens, linfa e músculos. Pensar que alguém conseguisse se tornar assim tão rígido... Ridículo, puxa! Eis o que resulta de se lutar com a vida.
Parou o necessário para tomar um grande gole, depois prossegiu.
- Você sabe, não existe no mundo uma só coisa digna de se lutar por ela, exceto a paz de espírito.
No amor puro (que sem dúvida não existe absolutamente, exceto em nossa imaginação)", diz alguém que eu admiro, "o doador não percebe que ele nem dá do que dá, nem a quem dá, e ainda menos, se isso é apreciado ou não pelo recebedor."
De todo o meu coração eu digo "D'accord!" Mas nunca encontrei um ser capaz de expressar tal amor. Talvez apenas os que já não tem necessidade de amor possam aspirar a semelhante papel.
Estar livre da servidão do amor, apagar-se como uma vela, derreter-se de amor, fundir-se com o amor - que felicidade! É possível a criaturas como nós, fracas, orgulhosas, vãs, possessivas, invejosas, ciumentas, obstinadas, rancorosas? Obviamente não. Para nós, a corrida de ratos - no vácuo do espírito. Para nós, a ruína, a ruína eterna. Julgando necessitarmos de amor, cessamos de dar amor, cessamos de ser amados.
Mas mesmo nós, desprezivelmente fracos como somos, experimentamos ocasionalmente um pouco desse amor verdadeiro, desinteressado. Quem de nós não disse a si mesmo, na sua cega adoração de alguém além do seu alcance: "Que me importa que ela nunca seja minha! Só me interessa que ela exista, que eu possa venerá-la e adorá-la para sempre!" E embora insustentável essa opinião exaltada, o amante que assim argumenta pisa chão firme. Ele conheceu um momento de amor puro. Nenhum outro amor, por mais sereno e duradouro, se lhe pode comparar.
Transitório como possa ser esse amor, pode-se afirmar ter havido uma perda? A única perda possível - e como o verdadeiro amante a conhece bem! - é a falta daquela afeição imperecível que o outro inspirou. Que dia insípido, fatídico, o dia em que o amante percebe, de súbito, que já não está possuído, que está curado, a bem dizer, do seu grande amor! Quando a ele se refere, mesmo inconscientemente, como uma "loucura"! A sensação de alívio engendrada por semelhante despertar talvez leve alguém a crer com toda sinceridade haver reconquistado a liberdade. Mas a que preço! Que liberdade mais escassa! Não é uma calamidade fitar-se uma vez mais o mundo com os óculos de cada dia, com a sabedoria do cotidiano? Não é de dor no coração encontrar-se cercado de seres familiares e comuns? Não é alarmante pensar que se deve prosseguir vivendo, conforme dizem, mas com pedras na barriga e seixos na boca? Encontrar cinzas, nada mais do que cinzas, onde outrora havia sóis ardentes, milagres, glórias, milagres sobre milagres, glória atrás de glória, e tudo livremente criado, como se proveniente de uma fonte mágica?
Se existe algo que se presta a ser chamado de miraculoso, não é o amor? Que outra força, que outro poder misterioso capaz de revestir a vida de inegável esplendor?"
Henry Miller, Nexus
Comprei essa edição de '68, então caso eu coloque um acento errado, ignore, pois estou lendo coisas lindas como "êle" o tempo todo. Vale a pena ler esse trecho sobre o amor mais de uma vez. É impossível não concordar com o que foi dito. Não se vive assim, mas já experimentei. Agora só falta reconquistar a pseudo liberdade.
Parou o necessário para tomar um grande gole, depois prossegiu.
- Você sabe, não existe no mundo uma só coisa digna de se lutar por ela, exceto a paz de espírito.
No amor puro (que sem dúvida não existe absolutamente, exceto em nossa imaginação)", diz alguém que eu admiro, "o doador não percebe que ele nem dá do que dá, nem a quem dá, e ainda menos, se isso é apreciado ou não pelo recebedor."
De todo o meu coração eu digo "D'accord!" Mas nunca encontrei um ser capaz de expressar tal amor. Talvez apenas os que já não tem necessidade de amor possam aspirar a semelhante papel.
Estar livre da servidão do amor, apagar-se como uma vela, derreter-se de amor, fundir-se com o amor - que felicidade! É possível a criaturas como nós, fracas, orgulhosas, vãs, possessivas, invejosas, ciumentas, obstinadas, rancorosas? Obviamente não. Para nós, a corrida de ratos - no vácuo do espírito. Para nós, a ruína, a ruína eterna. Julgando necessitarmos de amor, cessamos de dar amor, cessamos de ser amados.
Mas mesmo nós, desprezivelmente fracos como somos, experimentamos ocasionalmente um pouco desse amor verdadeiro, desinteressado. Quem de nós não disse a si mesmo, na sua cega adoração de alguém além do seu alcance: "Que me importa que ela nunca seja minha! Só me interessa que ela exista, que eu possa venerá-la e adorá-la para sempre!" E embora insustentável essa opinião exaltada, o amante que assim argumenta pisa chão firme. Ele conheceu um momento de amor puro. Nenhum outro amor, por mais sereno e duradouro, se lhe pode comparar.
Transitório como possa ser esse amor, pode-se afirmar ter havido uma perda? A única perda possível - e como o verdadeiro amante a conhece bem! - é a falta daquela afeição imperecível que o outro inspirou. Que dia insípido, fatídico, o dia em que o amante percebe, de súbito, que já não está possuído, que está curado, a bem dizer, do seu grande amor! Quando a ele se refere, mesmo inconscientemente, como uma "loucura"! A sensação de alívio engendrada por semelhante despertar talvez leve alguém a crer com toda sinceridade haver reconquistado a liberdade. Mas a que preço! Que liberdade mais escassa! Não é uma calamidade fitar-se uma vez mais o mundo com os óculos de cada dia, com a sabedoria do cotidiano? Não é de dor no coração encontrar-se cercado de seres familiares e comuns? Não é alarmante pensar que se deve prosseguir vivendo, conforme dizem, mas com pedras na barriga e seixos na boca? Encontrar cinzas, nada mais do que cinzas, onde outrora havia sóis ardentes, milagres, glórias, milagres sobre milagres, glória atrás de glória, e tudo livremente criado, como se proveniente de uma fonte mágica?
Se existe algo que se presta a ser chamado de miraculoso, não é o amor? Que outra força, que outro poder misterioso capaz de revestir a vida de inegável esplendor?"
Henry Miller, Nexus
Comprei essa edição de '68, então caso eu coloque um acento errado, ignore, pois estou lendo coisas lindas como "êle" o tempo todo. Vale a pena ler esse trecho sobre o amor mais de uma vez. É impossível não concordar com o que foi dito. Não se vive assim, mas já experimentei. Agora só falta reconquistar a pseudo liberdade.
Sunday, July 11, 2010
pago a dose e vou embora
Thursday, July 08, 2010
sem mais laranjas.
"É a pessoa de quem você mais quer ter notícias a que nunca se dá ao trabalho de escrever. A complacência, se é este o caso, ou a indiferença de tais indivíduos é irritante; algumas vezes, pode deixar a pessoa frenética. Essa sensação de frustração pode, e isto de fato acontece, persistir até que, descobrimos que não estamos sozinhos, não estamos isolados, e não é importante receber uma resposta. Até despertar a consciência de que tudo o que importa é dar, e dar sem pensar em retribuição.
Algumas pessoas de quem inutilmente esperei uma resposta descobri, mais tarde, que estavam na mesma situação difícil na qual agora me encontro. Como seria maravilhoso, se eu soubesse disso na ocasião, ter escrito e dito: "Não se preocupe em responder. Simplesmente, queria que soubesse o quanto me sinto grato a você por estar vivo e espalhando criação." Hoje, ocasionalmente, recebo eu mesmo tais mensagens. Esse é o caminho do amor, que usa a linguagem da fé e do perdão.
Por que, então, não paro de pensar naqueles que exercem pressão em cima de mim? Por causa de minha própria fraqueza, provavelmente. Poderia haver esse sentimento de pressão, se eu tivesse a certeza de que me dou inteiro?"
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
Me sentei às onze da noite e fui dormir às três da manhã, mas terminei o livro. Nunca li por tantas horas seguidas e não faço idéia do que me motivou, quando eu percebi o tempo já tinha passado. O início dessa obra me empolgou bastante, li compulsivamente, mas depois chegou um ponto que eu achei tudo chato, cansativo, monótono, onde ele descreveu pessoas aleatórias em detalhes, sempre elogiando, então pensei que o caso estava perdido. Porém, ao chegar na terceira parte (o livro é todo dividido, inclusive ele comenta que não importa a ordem que se leia, se entenderá igualmente) e depois no epílogo, a coisa mudou de rumo e eu nem senti que estava lendo. Além de falar sobre o meu signo (não entendo nada, mas se é o meu, devo pelo menos considerar) e contar uma história absurda de um "amigo" parasita, finaliza comentando sobre como era difícil lidar com a situação de recaber milhares de cartas com pedidos de ajuda literária, conselhos, dúvidas, buscando opinião etc. Pretendo contar o que isso tem a ver com a minha vida, logo mais. Como eu sempre digo, nada é por acaso.
I won't say your name
But you know who you are
I'll never be the same again now - no way
I just want to say
Thank you for playing the way you play
Algumas pessoas de quem inutilmente esperei uma resposta descobri, mais tarde, que estavam na mesma situação difícil na qual agora me encontro. Como seria maravilhoso, se eu soubesse disso na ocasião, ter escrito e dito: "Não se preocupe em responder. Simplesmente, queria que soubesse o quanto me sinto grato a você por estar vivo e espalhando criação." Hoje, ocasionalmente, recebo eu mesmo tais mensagens. Esse é o caminho do amor, que usa a linguagem da fé e do perdão.
Por que, então, não paro de pensar naqueles que exercem pressão em cima de mim? Por causa de minha própria fraqueza, provavelmente. Poderia haver esse sentimento de pressão, se eu tivesse a certeza de que me dou inteiro?"
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
Me sentei às onze da noite e fui dormir às três da manhã, mas terminei o livro. Nunca li por tantas horas seguidas e não faço idéia do que me motivou, quando eu percebi o tempo já tinha passado. O início dessa obra me empolgou bastante, li compulsivamente, mas depois chegou um ponto que eu achei tudo chato, cansativo, monótono, onde ele descreveu pessoas aleatórias em detalhes, sempre elogiando, então pensei que o caso estava perdido. Porém, ao chegar na terceira parte (o livro é todo dividido, inclusive ele comenta que não importa a ordem que se leia, se entenderá igualmente) e depois no epílogo, a coisa mudou de rumo e eu nem senti que estava lendo. Além de falar sobre o meu signo (não entendo nada, mas se é o meu, devo pelo menos considerar) e contar uma história absurda de um "amigo" parasita, finaliza comentando sobre como era difícil lidar com a situação de recaber milhares de cartas com pedidos de ajuda literária, conselhos, dúvidas, buscando opinião etc. Pretendo contar o que isso tem a ver com a minha vida, logo mais. Como eu sempre digo, nada é por acaso.
I won't say your name
But you know who you are
I'll never be the same again now - no way
I just want to say
Thank you for playing the way you play
someday in january
O final de Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch tocou em dois pontos que eu me identifico muito e o primeiro vou postar agora: ser de Capricórnio.
Filósofos. Inquisidores. Feiticeiros. Eremitas. Coveiros. Mendigos.
Profundidade. Solidão. Angústia.
Abismos. Cavernas. Lugares abandonados.
Graves. taciturnos, fechados. Amam a solidão, tudo que é misterioso, são contemplativos.
São tristes e pesados. Nasceram velhos.
Vêem o ruim antes do bom. A fraqueza em tudo salta imediatamente aos seus olhos.
Penitência, arrependimentos, perpétuo remorso.
Prendem-se à lembrança dos danos que lhe foram causados.
Riem raramente, ou nunca; quando o fazem, é uma risada sardônica.
Profundos, mas indigestos. Desabrocham devagar e com dificuldade.
Obstinados e perseverantes. Trabalhadores infatigáveis. Aproveitam-se de tudo para acumular ou progredir.
Insaciáveis em seu desejo de conhecimento. Empreendem projetos de longo curso. Dados ao estudo de coisas complicadas e abstratas.
Vivem em vários níveis, ao mesmo tempo. Podem ter vários pensamentos juntos.
Iluminam apenas os abismos.
Filósofos. Inquisidores. Feiticeiros. Eremitas. Coveiros. Mendigos.
Profundidade. Solidão. Angústia.
Abismos. Cavernas. Lugares abandonados.
Graves. taciturnos, fechados. Amam a solidão, tudo que é misterioso, são contemplativos.
São tristes e pesados. Nasceram velhos.
Vêem o ruim antes do bom. A fraqueza em tudo salta imediatamente aos seus olhos.
Penitência, arrependimentos, perpétuo remorso.
Prendem-se à lembrança dos danos que lhe foram causados.
Riem raramente, ou nunca; quando o fazem, é uma risada sardônica.
Profundos, mas indigestos. Desabrocham devagar e com dificuldade.
Obstinados e perseverantes. Trabalhadores infatigáveis. Aproveitam-se de tudo para acumular ou progredir.
Insaciáveis em seu desejo de conhecimento. Empreendem projetos de longo curso. Dados ao estudo de coisas complicadas e abstratas.
Vivem em vários níveis, ao mesmo tempo. Podem ter vários pensamentos juntos.
Iluminam apenas os abismos.
Monday, July 05, 2010
unknown road
"Aqueles que fazem mais do que lhes pedem nunca se esvaziam. Só os que temem dar são enfraquecidos pela doação. A arte de dar é um negócio inteiramente espiritual. Neste sentido, dar tudo de uma pessoa não faz sentido, pois não há limite, quando se fala da verdadeira oferta."
"Eu poderia apresentar intermináveis exemplos dessas coincidências ou "milagres", como os chamo livremente, que se acumulam em minha vida. Os números, porém, nada significam. Se apenas um tivesse ocorrido, teria a mesma validade impressionante. Na verdade, o que me deixa mais perplexo do que quase qualquer outra coisa, nas questões humanas, é a habilidade do homem para ignorar ou fugir de eventos ou acontecimentos que não se enquadram em seu modelo de pensamento, em sua lógica inquestionável. A esse respeito, o homem civilizado é exatamente tão primitivo, em suas reações, quanto o chamado selvagem. O que ele não pode explicar, recusa-se a olhar diretamente. Evade-se à questão empregando palavras como acidente, anomalia, fortuito, coincidência etc.
Mas cada vez que "isso" acontece, ele fica abalado. O homem não está à vontade no universo, apesar de todos os esforços de filósofos e metafísicos para fornecer um xarope calmante. O pensamento ainda é um narcótico. A questão mais profunda é o porquê. E é proibida. O próprio perguntar está na natureza da sabotagem cósmica. E o castigo são - as aflições de Jó.
Todos os dias da nossa vida somos presenteados com evidências da imensa e complicada interligação existente entre os acontecimentos que regem nossas vidas e as forças que dirigem o universo. Nosso medo de aprofundar os relâmpagos de insight que elas provocam é de chegar, talvez, a saber o que "acontecerá" conosco. Sabemos com certeza desde o nascimento que morreremos. Mas mesmo isso achamos difícil de aceitar, por mais certo que seja."
"A questão é - para onde queremos ir? E, queremos levar conosco nossa bagagem ou viajar desimpedidos? A resposta à segunda pergunta está contida na primeira. Para onde quer que vamos, devemos ir nus e sozinhos. Devemos, cada um de nós, aprender que ninguém mais pode nos ensinar. Devemos praticar o ridículo, para tocar o sublime.
Quem pode dizer quais são, realmente, as necessidades do outros? Ninguém pode de fato ajudar o outro, a não ser insistindo com ele para que se mova adiante. Algumas vezes, a pessoa deve mover-se sem se mexer do lugar. Desligar-se dos seus problemas, essa é a idéia. Por que tentar resolver um problema? Esqueça-se dele!"
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
"Eu poderia apresentar intermináveis exemplos dessas coincidências ou "milagres", como os chamo livremente, que se acumulam em minha vida. Os números, porém, nada significam. Se apenas um tivesse ocorrido, teria a mesma validade impressionante. Na verdade, o que me deixa mais perplexo do que quase qualquer outra coisa, nas questões humanas, é a habilidade do homem para ignorar ou fugir de eventos ou acontecimentos que não se enquadram em seu modelo de pensamento, em sua lógica inquestionável. A esse respeito, o homem civilizado é exatamente tão primitivo, em suas reações, quanto o chamado selvagem. O que ele não pode explicar, recusa-se a olhar diretamente. Evade-se à questão empregando palavras como acidente, anomalia, fortuito, coincidência etc.
Mas cada vez que "isso" acontece, ele fica abalado. O homem não está à vontade no universo, apesar de todos os esforços de filósofos e metafísicos para fornecer um xarope calmante. O pensamento ainda é um narcótico. A questão mais profunda é o porquê. E é proibida. O próprio perguntar está na natureza da sabotagem cósmica. E o castigo são - as aflições de Jó.
Todos os dias da nossa vida somos presenteados com evidências da imensa e complicada interligação existente entre os acontecimentos que regem nossas vidas e as forças que dirigem o universo. Nosso medo de aprofundar os relâmpagos de insight que elas provocam é de chegar, talvez, a saber o que "acontecerá" conosco. Sabemos com certeza desde o nascimento que morreremos. Mas mesmo isso achamos difícil de aceitar, por mais certo que seja."
"A questão é - para onde queremos ir? E, queremos levar conosco nossa bagagem ou viajar desimpedidos? A resposta à segunda pergunta está contida na primeira. Para onde quer que vamos, devemos ir nus e sozinhos. Devemos, cada um de nós, aprender que ninguém mais pode nos ensinar. Devemos praticar o ridículo, para tocar o sublime.
Quem pode dizer quais são, realmente, as necessidades do outros? Ninguém pode de fato ajudar o outro, a não ser insistindo com ele para que se mova adiante. Algumas vezes, a pessoa deve mover-se sem se mexer do lugar. Desligar-se dos seus problemas, essa é a idéia. Por que tentar resolver um problema? Esqueça-se dele!"
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
Friday, July 02, 2010
triste, mas real.
Assisti "Jack Kerouac - King of the Beats" e digo o seguinte: tudo faz sentido. Primeiro me sinto feliz por ter terminado de ler Cidade Pequena, Cidade Grande antes de ver o documentário, porque o livro é praticamente narrado ao longo da filmagem. É antigo, curto, não tem muita riqueza de detalhes, mas acho válido pra quem já leu parte da obra dele. Quando falam sobre a época que ele viveu em Big Sur, a decadência e o alcoolismo, é bem impressionante. Nota-se tudo lendo o livro, porém, ver as pessoas que conheciam ele comentar soma bastante à essa impressão anterior. Certamente, antes de estourar On the Road, Jack se perguntou "onde eu me encaixo?". A resposta não veio com o sucesso, nem com o isolamento. Uma pena. Grande homem.
Thursday, July 01, 2010
accident prone
"Estamos sempre em dois mundos ao mesmo tempo, e nenhum deles é o mundo da realidade. Um é o mundo onde pensamos que estamos, o outro é o mundo onde gostaríamos de estar. De vez em quando, como se fosse através de uma fresta na porta - ou como o míope que adormece no trem -, obtemos uma rápida visão do mundo permanente. Quando fazemos isso, sabemos, mais do que qualquer metafísico pode demonstrar, a diferença entre verdadeiro e falso, real e ilusório."
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
What's the furthest place from here?
It hasn't been my day for a couple years.
What's a couple more?
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
What's the furthest place from here?
It hasn't been my day for a couple years.
What's a couple more?
Sunday, June 27, 2010
não sei.
"Quando é que a pessoa deve dispor-se a agir? O que constitui um ato? E deixar de agir, algumas vezes, não será uma forma mais elevada de ação?"
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
Thursday, June 24, 2010
quando a cidade dorme
Já terminei o livro, mas achei nos rascunhos do meu gmail esse trecho que ainda não tinha postado, então lá vai:
"Viu que a luta da vida era interminável, cansativa, dolorosa, que nada era feito rapidamente, sem esforço, que precisava passar por mil dobras, revisões, modelagens, acréscimos, remoções, enxertos, cortes, correções, alisamentos, reconstruções, reconsiderações, pregadas, colagens, raspagens, marteladas, levantamentos, conexões - todas as coisas incompletas hesitantes e incertas do esforço humano. Elas continuavam para sempre e estavam para sempre incompletas, longe da perfeição, refinamento ou polimento, cheias de memórias terríveis de fracassos e medos de fracasso, ainda assim, do seu jeito, de algum modo nobre, completas e reluzentes no final. Isso ele podia sentir mesmo da casa velha onde eles moravam, com suas paredes e pisos solidamente construídos que se mantinham juntos como rocha: algum homem, possivelmente um homem raivoso e pessimista, tinha construído a casa muito tempo atrás, mas a casa permanecia de pé, e sua raiva e pessimismo e suores irritados de trabalho foram esquecidos; a casa permanecia de pé, e outros homens viviam nela e ficavam muito bem abrigados nela."
Jack Kerouac, Cidade Pequena, Cidade Grande
difícil não colocar fotos dele por aqui. jack e seu olhar penetrante. cada imagem me impressiona mais. ah, se eu pudesse ter visto ao vivo... no geral olhos claros tendem a dizer menos do que olhos escuros, mas ele é exceção. não sei se pelo tamanho, formato, ou simplesmente pela loucura toda. e ta aí uma coisa que eu me orgulho muito de ter: olhos expressivos. sempre dizem que eu falo com eles, então creio que seja verdade. olhos pequenos, mortos, apáticos, vazios, por favor, me poupem da chatisse de encará-los. prefiro os que assustam de tanta expressividade. melhor me sentir desafiada por um olhar confiante do que ficar entediada com um de peixe-morto."E é através dos olhos da alma que o paraíso é visionado. Se há falhas em seu paraíso, abra mais janelas!"
hey coffee eyes
you got me coughin' up my cookie heart
Sunday, June 20, 2010
sal paradise
i don't know anything but the word is getting around,
there's trouble in paradise, your heart is gonna pay the price
Quando eu digo que nada é por acaso, falo sério. Ontem encontrei uma pessoa que eu não sabia que conhecia (amnésia alcoólica) e o comentário foi "eu insistia pra saber o teu nome e tu só dizia PARADISE, PARADISE". Acordo hoje e começo a ler meu guru, Henry Miller. Eis que me deparo com isso:
"Como é elucidativa essa atitude quanto à deplorável resignação à qual sucumbem homens e mulheres! Claro que todos percebem, a certa altura, ao longo do caminho, que poderiam levar uma vida muito melhor do que aquela que escolheram. O que impede isso, em geral, é o medo dos sacrifícios necessários. (Mesmo abandonar as correntes que os prendem parece um sacrifício.) Mas todo mundo sabe que nada é realizado sem sacrifício.
O anseio por um paraíso, na terra ou no além, quase parou de existir. Em vez de idée-force, tornou-se idée-fixe. De mito potente, degenerou em tabu. Os homens sacrificam suas vidas para tornar o mundo melhor - seja lá o que entendam por isso -, mas não movem uma palha para alcançar o paraíso. Tampouco lutam para criar um pouquinho de paraíso no inferno onde se encontram. É tão mais fácil, e mais sangrento, fazer uma revolução, o que significa, em termos simples, estabelecer outro status quo, só que diferente. Se o paraíso fosse realizável - está é a réplica clássica! -, não seria mais paraíso.
O que se poderá dizer a um homem que insiste em construir sua própria prisão?
Há um tipo de indivíduo que, após encontrar o que ele considera um paraíso, começa a botar defeitos nele. No final, o paraíso desse homem se torna ainda pior do que o inferno do qual ele fugiu.
Sem dúvidas, o paraíso, seja lá qual for, tem defeitos (defeitos paradisíacos, podemos dizer assim). Se não tivesse, seria incapaz de atrair os corações dos homens ou dos anjos.
As janelas da alma são infinitas, dizem-nos. E é através dos olhos da alma que o paraíso é visionado. Se há falhas em seu paraíso, abra mais janelas! A visão é, inteiramente, uma faculdade criativa: usa o corpo e a mente como o navegador usa seus instrumentos. Aberta e alerta, pouco importa se alguém descobre um suposto atalho para as Índias ou se descobre um novo mundo. Tudo pede para ser descoberto, não por acaso, mas intuitivamente. Procurando intuitivamente, o destino de uma pessoa jamais está num além do tempo ou do espaço, mas sempre aqui e agora. Se estamos sempre chegando e partindo, é também verdade que estamos eternamente ancorados. Nosso destino não é nunca um lugar, mas sim uma nova maneira de olhar para as coisas. E isso significa que não há limites para a visão. Da mesma forma, não há limites para o paraíso. Qualquer paraíso digno desse nome pode sustentar todas as falhas da criação e continuar com sua grandeza, impoluto."
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
Aproveito o que foi dito sobre estar sempre chegando e partindo e repito um trecho do genial Waking Life que já postei por aqui: The sea refuses no river. The idea is to remain in a state of constant departure while always arriving. It saves on introductions and goodbyes. The ride does not require explanation - just occupance.
there's trouble in paradise, your heart is gonna pay the price
Quando eu digo que nada é por acaso, falo sério. Ontem encontrei uma pessoa que eu não sabia que conhecia (amnésia alcoólica) e o comentário foi "eu insistia pra saber o teu nome e tu só dizia PARADISE, PARADISE". Acordo hoje e começo a ler meu guru, Henry Miller. Eis que me deparo com isso:
"Como é elucidativa essa atitude quanto à deplorável resignação à qual sucumbem homens e mulheres! Claro que todos percebem, a certa altura, ao longo do caminho, que poderiam levar uma vida muito melhor do que aquela que escolheram. O que impede isso, em geral, é o medo dos sacrifícios necessários. (Mesmo abandonar as correntes que os prendem parece um sacrifício.) Mas todo mundo sabe que nada é realizado sem sacrifício.
O anseio por um paraíso, na terra ou no além, quase parou de existir. Em vez de idée-force, tornou-se idée-fixe. De mito potente, degenerou em tabu. Os homens sacrificam suas vidas para tornar o mundo melhor - seja lá o que entendam por isso -, mas não movem uma palha para alcançar o paraíso. Tampouco lutam para criar um pouquinho de paraíso no inferno onde se encontram. É tão mais fácil, e mais sangrento, fazer uma revolução, o que significa, em termos simples, estabelecer outro status quo, só que diferente. Se o paraíso fosse realizável - está é a réplica clássica! -, não seria mais paraíso.
O que se poderá dizer a um homem que insiste em construir sua própria prisão?
Há um tipo de indivíduo que, após encontrar o que ele considera um paraíso, começa a botar defeitos nele. No final, o paraíso desse homem se torna ainda pior do que o inferno do qual ele fugiu.
Sem dúvidas, o paraíso, seja lá qual for, tem defeitos (defeitos paradisíacos, podemos dizer assim). Se não tivesse, seria incapaz de atrair os corações dos homens ou dos anjos.
As janelas da alma são infinitas, dizem-nos. E é através dos olhos da alma que o paraíso é visionado. Se há falhas em seu paraíso, abra mais janelas! A visão é, inteiramente, uma faculdade criativa: usa o corpo e a mente como o navegador usa seus instrumentos. Aberta e alerta, pouco importa se alguém descobre um suposto atalho para as Índias ou se descobre um novo mundo. Tudo pede para ser descoberto, não por acaso, mas intuitivamente. Procurando intuitivamente, o destino de uma pessoa jamais está num além do tempo ou do espaço, mas sempre aqui e agora. Se estamos sempre chegando e partindo, é também verdade que estamos eternamente ancorados. Nosso destino não é nunca um lugar, mas sim uma nova maneira de olhar para as coisas. E isso significa que não há limites para a visão. Da mesma forma, não há limites para o paraíso. Qualquer paraíso digno desse nome pode sustentar todas as falhas da criação e continuar com sua grandeza, impoluto."
Henry Miller, Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch
Aproveito o que foi dito sobre estar sempre chegando e partindo e repito um trecho do genial Waking Life que já postei por aqui: The sea refuses no river. The idea is to remain in a state of constant departure while always arriving. It saves on introductions and goodbyes. The ride does not require explanation - just occupance.
Friday, June 18, 2010
OH, YES
there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.
Charles Bukowski
first step
"Às vezes pensava em como era tênue a linha traçada dentro dele entre amor ou indiferença, devoção ou aversão, preocupação ou negligência, e finalmente - entre a alegria viva e a fúria criminosa. Podia rir e se divertir, e de repente sair e quebrar algo com a violência de um louco. Às vezes pensava sobre isso, mas na maior parte do tempo não estava nem aí para pensar nisso. Lembrava de se sentir assim antes, especialmente quando tinha seus vinte anos, cheio de atrevimento louco, fúria bêbada suicida, e agora estava de volta, mas não havia mais alegria, de algum modo não havia mais beleza naquilo, nem a admiração e o prazer de um jovem naquilo, e lhe parecia que alguma coisa tinha terminado."
Jack Kerouac, Cidade Pequena, Cidade Grande
Se ele me conhecesse não teria me descrito tão bem. Com o final próximo, a beleza do livro só aumenta.
Jack Kerouac, Cidade Pequena, Cidade Grande
Se ele me conhecesse não teria me descrito tão bem. Com o final próximo, a beleza do livro só aumenta.
Tuesday, June 15, 2010
I live upstairs from you
"Jeepo soltou um grito alegre e delirante. De repente Francis percebeu, com um horror secreto, que a loucura era a única chave para a felicidade ininterrupta e desimpedida; soube disso em um lampejo."
Jack Kerouac, Cidade Pequena, Cidade Grande
Eu adoro Lemonheads. Defino, mesmo nos discos mais ogros (não chegam a ser, mas não consegui achar uma palavra melhor, então paciência), como uma banda suave. Não importa se são escrotos ao vivo e se deliraram em uma música psicodélica de dez minutos. Lamentável que artistas desprovidos de talento tenham gravado versões absurdamente toscas de Luka e eternizado em trilhas de novelas uma melodia tão bonitinha de forma tão cafona. Para uma vida COM SENTIDO, acho que todo mundo devia ter, pelo menos, um disco deles na sua coleção (mesmo que virtual).
If you hear something late at night
Some kind of trouble, some kind of fight
Just don't ask me what it was
Jack Kerouac, Cidade Pequena, Cidade Grande
Eu adoro Lemonheads. Defino, mesmo nos discos mais ogros (não chegam a ser, mas não consegui achar uma palavra melhor, então paciência), como uma banda suave. Não importa se são escrotos ao vivo e se deliraram em uma música psicodélica de dez minutos. Lamentável que artistas desprovidos de talento tenham gravado versões absurdamente toscas de Luka e eternizado em trilhas de novelas uma melodia tão bonitinha de forma tão cafona. Para uma vida COM SENTIDO, acho que todo mundo devia ter, pelo menos, um disco deles na sua coleção (mesmo que virtual).
If you hear something late at night
Some kind of trouble, some kind of fight
Just don't ask me what it was
Sunday, June 13, 2010
divido o que temo
I can't think with all this noise
they're playing love songs on your radio tonight
I don't get those songs on mine
you keep fucking up my life
vontade de reler big sur, mas preciso terminar cidade pequena, cidade grande.
onde estão as pessoas que vivem como cody pomeray?
eu seria sal paradise e você minha rota 66.
they're playing love songs on your radio tonight
I don't get those songs on mine
you keep fucking up my life
vontade de reler big sur, mas preciso terminar cidade pequena, cidade grande.
onde estão as pessoas que vivem como cody pomeray?
eu seria sal paradise e você minha rota 66.
Tuesday, June 01, 2010
tanto faz
se é na voz da billie holiday, nina simone ou chan marshall; deguste.
Hush now, don't explain
You're the cause of all my trouble and pain
Unless you're mad
Don't explain
My love, my love, my love
Don't explain
There is nothing within me now to gain
You know that I love you
Look at what loving has done
All my thoughts were real
And so sincere
I'm so completely yours
You know I hear folks cha-cha-cha-chatter
And I know you cheat
Right or wrong, that don't matter
You're here with me
Sit down, have a seat
It's your time to feel the pain
It's your time to weep
Don't explain
Hush now, don't explain
There is nothing within me now to gain
I'm gonna skip it instead
Don't explain
Don't explain
fotinho tirada por mim. cat power @ opinião - porto alegre, 20.05.2010
Hush now, don't explain
You're the cause of all my trouble and pain
Unless you're mad
Don't explain
My love, my love, my love
Don't explain
There is nothing within me now to gain
You know that I love you
Look at what loving has done
All my thoughts were real
And so sincere
I'm so completely yours
You know I hear folks cha-cha-cha-chatter
And I know you cheat
Right or wrong, that don't matter
You're here with me
Sit down, have a seat
It's your time to feel the pain
It's your time to weep
Don't explain
Hush now, don't explain
There is nothing within me now to gain
I'm gonna skip it instead
Don't explain
Don't explain
fotinho tirada por mim. cat power @ opinião - porto alegre, 20.05.2010
Wednesday, May 19, 2010
amanhã é o grande dia.
We won't have a thing
So we'd got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind
Cat Power - Maybe Not
So we'd got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind
Cat Power - Maybe Not
Tuesday, May 11, 2010
fala mais baixo.
"Ele caminhou absorto em seus próprios pensamentos. Teve de abrir caminho através de multidões que surgiram em seu caminho, passou por bares e restaurantes e lanchonetes nos quais as pessoas tinham começado a soprar cornetas de papel e a sacudir chocalhos em um frenesi de festividade.
Ele virou rapidamente em uma rua lateral estreita e caminhou por cortiços amontoados. Havia luzes acesas em algumas janelas, e Francis podia ouvir todos os tipos de barulhos alegres lá dentro. "Feliz ano novo!", sorriu com malícia. "Adeus ano velho, seus idiotas, bem vindo novo ano - bem vindos mais estupidez, mais miséria cruel, mais absurdos, mais caos. Mas, em nome de deus, não saia da linha ou o próximo na fila vai tomar sua vida à força. Cuidado com esse orçamento. Responsabilidades a cumprir, você sabe. Ame sua mulher e seus filhos, fomente a raça subumana. Aprenda a aceitar o golpe de seu próximo na fila. Pode fazer o que quiser, só não se revolte! O chicote, e não a morte. Quanto a mim, senhoras e senhores, vou abandonar o navio, que está afundando."
Jack Kerouac, Cidade Pequena, Cidade Grande
Lembrei daquele meu ano novo sozinha em casa escutando o Jukebox da Cat Power, depois ri pensando neste último, que passei na beira da praia com mil pessoas bêbadas alegres e numa situação "tenho 14 anos novamente". Tudo diferente, mas no fim as coisas permanecem iguais. Estou me apaixonando profundamente por esse livro, algo que eu duvidei que aconteceria. Recomendo desde já.
Saturday, May 01, 2010
dream is destiny
I feel like my transport should be an extension of my personality. And this is like my little window to the world... and every minute's a different show. I may not understand it. I may not even necessarily agree with it. But I'll tell you what I've accepted: just sort of glide along. You want to keep things on an even key, this is what I'm saying. You want to go with the flow. The sea refuses no river. The idea is to remain in a state of constant departure while always arriving. It saves on introductions and goodbyes. The ride does not require explanation - just occupance. That's where you guys come in. It's like you come onto this planet with a crayon box. Now you may get the 8 pack, you may get the 16 pack but it's all in what you do with the crayons - the colors - that you're given. Don't worry about coloring within the lines or coloring outside the lines - I say color outside the lines, you know what I mean? Color all over the page; don't box me in! We're in motion to the ocean. We are not land locked, I'll tell you that.
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